top of page

Ghost in the Shell: Por onde começar?

  • Gabriel Chilio Jordão
  • 30 de ago. de 2019
  • 4 min de leitura

No território das animações japonesas e mangás, distante das séries shonen (das quais os animes são mais famosos, e que possuem como obras famosas Dragon Ball, Naruto, One Piece, entre outros), uma das obras mais influentes, tanto no Japão como no Ocidente, é Ghost in the Shell. Publicado pela primeira vez em maio de 1989 e assinado por Masamune Shirow, a série ganhou notoriedade com a adaptação do mangá em forma de filme, lançado em 1995. Depois disso, a franquia teve diversas recontagens nas mais variadas formas de mídia.

Em resumo, trata-se da história de Motoko Kusanagi, um androide que comanda um esquadrão paramilitar conhecido como Setor 09, em uma Tóquio de 2029. Misturando elementos de ficção científica com debates filosóficos muito interessantes, a obra é tida como uma das bíblias do gênero cyberpunk (junto com filmes como Akira e Blade Runner e o livro Neuromancer, de William Gibson). Para se ter uma ideia da sua importância no gênero, Ghost in the Shell é a principal influência da franquia Matrix, das irmãs Wachowski.

Como dito, a franquia já foi adaptada em diversos lugares. Qual é a melhor opção para começar no mundo de Ghost in the Shell?


As opções


→ Mangá de 1989 – Publicação original da série. Feito por Masamune Shirow e com 11 capítulos.



Pontos altos: Desenhos muito bem-feitos e momentos de reflexão não presentes na adaptação de 1995. Além de valer por ser o original, temos uma Kusanagi mais brincalhona e bem humorada do que o normal (o tom do mangá como um todo é bem diferente das futuras adaptações).



Filme de 1995 – Adaptação da história do mangá. Dirigido por Mamoru Oshii. Em 2004, foi lançada a continuação, “Ghost in the Shell 2: Innocence”


Pontos altos: Animação belíssima, ótimas atuações e história perfeitamente condensada. Pega apenas as partes mais importantes do mangá para contar uma história interessantíssima. Aperfeiçoamento do mangá.




Stand Alone Complex – Anime que conta uma história completamente original, utilizando os personagens da franquia. Foi ao ar de 2002 a 2005, com duas temporadas de 26 episódios cada. Em 2006 foi lançado um filme animado que encerra a história de Stand Alone Complex, intitulado “Ghost in the Shell: Stand Alone Complex – Solid State Society”. As duas temporadas do anime e o filme foram dirigidos por Kenji Kamiyama.


Pontos altos: História totalmente nova que não baixa o nível de qualidade. Trama muito menos complexa do que as outras, tornando um ótimo ponto de partida. Animação e trilha sonora excelentes.





Live-action – Única produção ocidental. Filme live-action que adapta os acontecimentos do filme de 1995. Lançado em 2017, é dirigido por Rupert Sanders e tem Scarlett Johansson no papel de Kusanagi.


Pontos altos: Literalmente nenhum.









Que ordem seguir?

Caso não tenha ficado claro pelo último tópico, passe bem longe do filme de 2017. Não só é uma ofensa às raízes japonesas da obra, como falha em trazer o que tornou as outras versões tão icônicas.

Dito isso, qualquer uma das opções é extremamente válida. No entanto, por ser a trama menos complexa (o que pode assustar quem começar pelo mangá ou pelo filme de 1995), minha recomendação é que o primeiro mergulho ao universo de Ghost in the Shell seja por Stand Alone Complex. Nos 52 episódios, você terá bastante tempo para se ambientar aos personagens e ao mundo, e verá uma história que balanceia bem as discussões filosóficas pelas quais a franquia é bem famosa com cenas de ação e bom humor na medida do possível.

Depois de Stand Alone Complex, minha recomendação é o filme de 1995. A animação é o ponto alto da franquia, superando com relativa facilidade o anime e até mesmo a obra original. Pode ser uma ótima opção para começar também (começando pelo melhor), mas pode se tornar extremamente confuso e complicado para quem não sabe o que esperar. Stand Alone Complex serve como uma “introdução” ideal para o filme de 1995 que, para mim, é simplesmente um dos melhores e mais interessantes filmes de animação de todos os tempos.


Uma obra-prima.

Por mais estranho que pareça, recomendo o mangá apenas depois do anime e do filme, e ainda assim, somente se você se interessou pela franquia. A trama pelas mãos de Shirow, apesar de muito interessante (influenciando um dos melhores filmes de animação já feitos e um ótimo anime), pode ser extremamente bizarra em alguns pontos, com momentos completamente desnecessários e que pouco agregam (leia-se: cena de pornografia totalmente fora de lugar).

Qualquer que seja a opção, o universo de Ghost in the Shell é um dos mais interessantes de toda a cultura pop. Uma das obras de ficção científica mais criativas que existem, mistura elementos filosóficos e uma protagonista fascinante muito bem. Um atestado para a qualidade da franquia é a quantidade de adaptações diferentes, todas com seus méritos. Na opinião do escritor, é a obra cyberpunk que aborda com mais intensidade a questão da dualidade homem/máquina, tão comum a essa temática.


O denso universo de Ghost in the Shell merece sua atenção.

A Netflix anunciou que um anime da franquia está em produção, e se chamará “Ghost in The Shell: SAC_2045”. Pelo nome, imagino que deva ser uma continuação de Stand Alone Complex (o que me deixa muito entusiasmado), mas nada é certeza ainda, além do lançamento em 2020. Por conta disso, agora é um ótimo momento para conhecer uma das melhores franquias de toda a ficção científica.


Teremos novas histórias da major mais querida da cultura pop. Por enquanto, temos apenas essa foto e uma data de lançamento em 2020.

Comentários


© 2019 Por Salão da Justiça

bottom of page