Crítica – Star Wars: A Ascensão Skywalker
- Gabriel Chilio Jordão
- 30 de dez. de 2019
- 5 min de leitura
Medroso e feito para agradar as pessoas erradas, filme falha em dar uma conclusão minimamente satisfatória.

Até que ponto as críticas de fãs devem moldar inteiramente como um filme deve ser feito? Uma saga histórica para o cinema não pode nunca tentar algo novo? As coisas devem sempre seguir exatamente o que foi feito no início, como se aquilo fosse algum tipo de texto sagrado? Mais importante do que tudo isso, um diretor deve fazer um filme por qual motivo: porque ele quer, ou por que tem que agradar pessoas com raiva?
Imagino que essas foram algumas das dúvidas que pairaram sobre a cabeça do diretor J.J. Abrams, que assumiu as rédeas da franquia Star Wars após dirigir o episódio VII e ficar ausente de sua sequência. Em suas mãos, a dura missão de reconquistar os fãs estressados com o polêmico episódio VIII e ainda fazer uma conclusão digna da saga, em uma nova trilogia que parece ter acumulado mais polêmicas e raiva de quase todos do que qualquer outra coisa.
Não vou negar, a missão não era das mais fáceis. Mas o que não podemos aceitar de jeito nenhum é o que foi entregue. Covarde e feito basicamente para passar a mão na cabeça de fãs que não aceitam que as coisas mudam, Star Wars: A Ascensão Skywalker falha em todas as missões que possuía, entregando uma conclusão da saga que completa 42 anos em 2019 que decepciona, além pelas decisões absurdas de roteiro, por basicamente ignorar que Os Últimos Jedi existiu, em uma atitude que beira a de uma criança mimada que não gostou do que fizeram com seu filminho e agora quer fazer seus personagens soltarem indiretas no meio do filme para corrigir. Uma tremenda bagunça, e uma enorme pena.
Não gostei, troca

No filme que antecede A Ascensão Skywalker, o então diretor Rian Johnson resolveu arriscar, levar a franquia para lugares novos. Resumindo para você uma treta que ocupou de maneira deveras irritante os últimos dias de 2017 e começo de 2018, alguns fãs mais saudosistas da franquia não gostaram nem um pouco de ver o protagonista Luke Skywalker sentindo-se amargurado e isolado, e protestaram muito. “Não é meu herói”, diziam. Uma história refrescantemente diferente, depois de críticas ao episódio VII por “ser muito parecido com os antigos” era o ideal, certo? Não. Detestaram. Ameaçaram boicotar a franquia (risos).
Com esse pequeno dilema em suas mãos, JJ simplesmente escolheu a opção mais medrosa possível. Dedicou uma quantidade absurda de partes de seu filme para simplesmente demonstrar que o aconteceu no episódio VIII não vale, não é assim que realmente funciona. Não só foi uma atitude digna de uma criança mimada, como acabou com qualquer chance da trilogia fazer o mínimo sentido narrativamente. Episódio IX parece uma continuação ao episódio VII, simplesmente ignorando o ótimo episódio VIII no meio do caminho, apenas porque o outro diretor não fez como eu gosto, muda, não gostei.
Essa decisão de JJ tem uma explicação bem simples, na verdade, e é insultante: numa patética tentativa de fazer uma média com os fãs irritados, fez um filme inteiro para alegrá-los, ignorando completamente tudo que estava posto até o momento na história. Desculpando quem se ofender pelo linguajar, mas um tremendo bunda-mole. Não teve a mínima coragem de enfrentar os fãs e fazer um filme SEU. Fez um filme para eles, passando gentilmente a mão em suas cabeças.
Uma última questão ainda sobre a moleza nos glúteos de JJ, essa facilmente percebida durante o filme (juro, nem precisa fazer esforço): em Os Últimos Jedi, uma das personagens novas mais criticadas por fãs, a sua esmagadora maioria em comentários absolutamente machistas e racistas, foi Rose (Kelly Marie Tran). Apesar de não ser o maior de seus defensores (longe disso), seria simplesmente inaceitável imaginar que o episódio IX colocasse ela de lado por conta de alguns imbecis retrógrados, certo? Certo?! Não. Em mais uma decisão absurda e injustificável, a personagem é notavelmente colocada de lado, praticamente não aparecendo no novo filme, ignorando totalmente suas relações e suas subtramas desenvolvidas anteriormente.
Resumindo, a conclusão de Star Wars foi dirigida por um rapaz que se limitou a fazer um filme que apagasse o anterior e fizesse afagos em fãs que não aceitam que são outros tempos. Vergonhoso.
Ele voltou. Precisava?

Os trailers revelaram. O Imperador Palpatine estava de volta. O grande vilão da franquia retornaria para uma última tentativa de realizar seus planos. Os fãs e analistas mais céticos não sabiam muito bem o que pensar sobre isso. Em meio a uma trilogia onde nenhum filme conversa com o outro, e nada parece fazer muito sentido, as preocupações subiam sobre como o retorno do vilão seria feito. Uma grande pena dizer, mas eles estavam certos. Em nenhum momento temos a certeza de que ele deveria ter voltado, muito pelo contrário: só complica ainda mais uma história que pouco faz sentido.
Obviamente não vou dizer o que ocorre, mas um dos maiores spoilers envolve diretamente Palpatine, e ele é simplesmente ridículo. Acaba com uma das coisas mais legais estabelecidas em Os Últimos Jedi (porque, vejam só, JJ precisava mudar tudo que foi feito!). Em um futuro texto, falaremos com calma sobre isso.
No fim, o retorno de Palpatine até exerce uma certa pressão nos nossos heróis e gera alguns momentos de tensão, mas no fim não faz muito sentido, e ultimamente contribui para a enorme bagunça que é esse filme.
O fim da nova geração

Passou voando, mas aconteceu. Os bebezinhos que estavam começando em O Despertar da Força estão se despedindo da franquia. A nova geração de fãs de Star Wars atingiu a maturidade com, pela primeira vez na franquia, uma Jedi. Deixando um pouquinho de lado a qualidade duvidosa dessa conclusão, isso é de uma importância inestimável (obviamente, em especial para as meninas).
A nova geração, encabeçada pelo quarteto Daisy Ridley, John Boyega, Oscar Isaac e Adam Driver, se mostrou profundamente capaz de carregar uma franquia tão importante. Mesmo com a desconfiança, protagonizaram ótimas atuações, e todas as críticas e desmerecimentos à nova trilogia baseados neles são injustas.
O destaque fica para Daisy e Adam, os protagonistas dessa nova geração, cada um de um lado da Força. Rey e Kylo Ren foram sem dúvidas os novos personagens mais interessantes, e suas jornadas apontavam para desfechos interessantes. Pelo menos isso não foi estragado, achei suas respectivas conclusões de arco aceitáveis, e condizentes com quem foram os dois até o momento. Pelo menos isso.
Veredito final
Não vou eufemizar para você. Star Wars: A Ascensão Skywalker não é bom. Falha na maioria das coisas que se propõe a fazer. A maior parte da culpa está no diretor e no estúdio, que tiveram a estranha mania de tomar sempre as piores decisões, e ter uma absurda vontade de fazer afagos em fãs que não merecem. Além disso, é um filme sem o mínimo de coragem, não se arriscando em momento nenhum, sempre escolhendo o que é mais fácil e fugiria menos do que está estabelecido.
O filme só se salva de ser um desastre completo pelos seus belos visuais, boas atuações e momentos de fan servisse que nos remetem a momentos em que tudo era melhor. Esses últimos por sinal, existem por um motivo: nos lembrar dos clássicos, dar uma impressão de que estamos gostando, usando nostalgia barata. Não conseguiram. Uma decepção, simples assim.
5,0/10,0







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