top of page

Crítica - O Rei Leão (2019)

  • Gabriel Chilio Jordão
  • 30 de jul. de 2019
  • 3 min de leitura

O remake de Rei Leão possuía a difícil missão de estar à altura do clássico de 1994, uma das mais famosas e aclamadas animações de todos os tempos. O caminho escolhido pelo diretor Jon Favreau (de “Mogli: o Menino Lobo” e os dois primeiros filmes do Homem de Ferro) talvez tenha sido o mais seguro: a história é praticamente uma cópia da já consagrada jornada de Simba, salvo algumas mínimas alterações que em nada alteram o desenvolvimento da trama, e o filme atinge seus pontos altos justamente quando reencena clássicos momentos do original.


Apesar de não acrescentar nada de novo à trama, Rei Leão acerta em cheio na computação gráfica (os cenários são belíssimos e os animais muito verossímeis) e na redublagem, com um novo elenco deixando sua marca nos personagens, ainda que respeitando e homenageando a equipe antiga.


Animal Planet


O maior atrativo do filme encontra-se nos seus cenários e na representação dos animais. As savanas africanas (e por extensão, o cemitério de elefantes, o deserto e a floresta de Timão e Pumba) são realmente impressionantes e de encher os olhos. Os protagonistas mamíferos (e seu colega alado Zazu) também são muito bem recriados; em muitos momentos, as cenas lembram documentários sobre o mundo animal.


Dois adendos, no entanto. O primeiro refere-se aos animais mesmo, que na maior parte do tempo brilham. A tentativa de aproximar o filme do realismo (dadas as devidas proporções) e de recriar os bichos por computadores faz com que em alguns momentos eles pareçam robóticos e com pouca expressividade (um defeito até certo ponto justificável; seria surreal exigir o mesmo nível de emoção e expressão facial de um filme animado).


O outro refere-se a própria história. Como dito, ela é basicamente a mesma do original, porém percebe-se que as cenas ausentes foram retiradas numa tentativa de diminuir o tom cartunesco e infantil do antecessor. Alguns fãs podem sentir falta de momentos marcados na memória, como o doce cântico de Zazu para Scar e o “Sr. Porco”; por um outro lado, seria difícil levar a sério um filme que se propõe a ser levado a sério e ao mesmo tempo possui um babuíno fazendo referência a Bruce Lee. Olhando apenas essa versão, e esquecendo momentaneamente a de 1994, o tom se mantém coerente. Apesar disso, os momentos onde a história não se levava tão a sério e abria espaço para o absurdo são elementos que tornavam o original tão marcante, e a falta deles é sentida quando as duas versões são comparadas.


Mesmo com algumas cenas memoráveis sendo substituídas, não é muito motivo de preocupação. As cenas mais icônicas e impactantes do original estão todas presentes, e são tão gloriosas (ou desoladora, em um caso bem específico) quanto.


A clássica cena do "Hakuna Matata" no Remake. Billy Eichner (Timão) e Seth Rogen (Pumbaa) destacam-se.

As novas vozes

Uma das novidades do remake é o elenco (o único que retorna é James Earl Jones, famoso por também dublar Darth Vader, no papel de Mufasa). Uma necessária representatividade é dada, dando a maioria dos papeis, em uma história ambientada na África, para atores com descendência africana (algo que não ocorre no original). Temos verdadeiras memoráveis atuações de Chiwetel Ejiofor como Scar e Billy Eichner e Seth Rogen como Timão e Pumba, respectivamente (a simpática dupla rouba a cena sempre que aparece, e a química entre os dois atores é ótima). Os outros personagens, no entanto, não são de forma alguma mal dublados (temos por exemplo Donald Glover como Simba, Beyoncé como Nala e o humorista John Oliver como Zazu), apenas não trazem nada tão marcante quanto os três mencionados.

De forma geral, a nova dublagem é ótima. As músicas são bem cantadas, as falas tem o impacto que exigem e o novo elenco mantém o nível do original, com o importante acrescento da representatividade.


As novas vozes de Simba e cia.

Veredito final

A refilmagem de Rei Leão é um filme obrigatório para fãs do original e da Disney como um todo. As músicas seguem extremamente agradáveis, os cenários são belíssimos e o novo elenco brilha. Decepções podem acontecer por não existir nenhum elemento novo na história e por alguns momentos robóticos dos animais, mas mesmo assim é um espetáculo ver uma animação tão marcante feita com o potencial gráfico de 2019.


8,5/10

Comentários


© 2019 Por Salão da Justiça

bottom of page