Crítica – Homem-Aranha: Longe de Casa (2019)
- Gabriel Chilio Jordão
- 28 de jul. de 2019
- 4 min de leitura

Passado o sucesso estrondoso de Vingadores: Ultimato e tudo que ele representou para o MCU, o próximo filme do Marvel Studios tinha uma alta responsabilidade. Seria injusto esperar algo no mesmo nível ou tão grandioso quanto, e é por isso que “Homem-Aranha: Longe de Casa” é melhor analisado como a página seguinte a um grande capítulo, não necessariamente uma continuação direta.
Iniciando como uma grande homenagem ao legado deixado por Robert Downey Jr. e cia, a nova aventura do Cabeça de Teia sabe caminhar com suas próprias pernas, em um filme muito divertido e empolgante, que abre um grande leque de possibilidades para o futuro do universo compartilhado e ao mesmo tempo funcionando como uma única história.
Road Trip
Como dito, o filme começa homenageando (literalmente) aqueles que ajudaram a deixar o MCU como está. Após isso, é explicado aos poucos o que aconteceu após o estalo de Thanos em Guerra Infinita. A explicação dada é no geral satisfatória e segura, apesar de ainda deixar algumas perguntas no ar. Sem entrar em mais detalhes, Peter Parker (Tom Holland) e sua turma são convidados a uma viagem por diversos países da Europa e Peter, aos poucos se apaixonando por MJ (Zendaya), vê na viagem a oportunidade ideal para se declarar.
Assim como o público espera do filme algo que carregue o peso deixado por Ultimato, a população de Nova York vê no Homem-Aranha o natural sucessor de Tony Stark. É catártico ver como progrediu a opinião pública sobre o Homem de Ferro, partindo de um vendedor de armas para um ícone mundial, quase uma figura divina. A responsabilidade que Peter vê de continuar o legado do seu mentor é muito bem demonstrada, e é possível sentir o peso que o rapaz sente. Se no MCU não tivemos um Tio Ben para motivar o Homem-Aranha, a partida do Homem de Ferro é uma substituição à altura.
A dinâmica entre Parker e seus colegas de classe segue muito boa e é um claro avanço em relação a De Volta ao Lar, sendo mais uma vez um dos pontos altos do miniuniverso criado por Jon Watts. O cenário (praticamente de um filme de comédia) de jovens conhecendo e vivendo típicas situações em um país estrangeiro funciona muito bem, apesar do clichê. Além disso, é bizarro como funciona ver um personagem tipicamente americano trabalhando em locais históricos europeus.

A estreia do Cabeça de Aquário
O excelente Jake Gyllenhaal (Donnie Darko, O Abutre) destaca-se no papel de Mysterio, um dos vilões mais clássicos do Homem-Aranha nas HQs e há muito tempo pedido pelos fãs. Apesar de algumas mudanças em relação à história de origem para adaptar melhor a história ao MCU, o básico ainda está lá. Aos que estavam preocupados ao ver nos materiais promocionais um Mysterio que se assemelha a um herói mal compreendido ou algo do gênero, podem ficar tranquilos: Mysterio é Mysterio. As cenas em que vemos o verdadeiro potencial do ilusionista Quentin Beck parecem tiradas diretamente de uma página dos quadrinhos, e agradarão até os mais exigentes fãs.
A persona de “mini Tony Stark” adotada pelo antagonista possibilita interessantes diálogos entre ele e Peter, com este vendo em Beck uma possível nova figura em quem confiar; as reviravoltas são extremamente óbvias para fãs do vilão nas HQs, mas ainda servem para melhorar cada vez mais o Homem-Aranha de Tom Holland, aproximando-se de um herói experiente e confiante.

Aranha de Ferro
A responsabilidade de substituir o mentor Homem de Ferro é um dos temas mais recorrentes do filme, e apesar de poder incomodar alguns fãs, a história do MCU ganha muito com o ciclo se repetindo e Peter seguindo os passos de Tony (inclusive com uma ótima homenagem ao gosto musical de Stark).
Já um xodó dos fãs, Tom Holland está cada vez mais confortável no personagem e provando cada vez mais ter sido a escolha perfeita para o papel. Extremamente carismático, dá a entender que tem tudo para ser o “cara” da nova fase de filmes da Marvel.
Veredito final
Homem-Aranha: Longe de Casa corrige todos os erros do seu antecessor, tornando-se não só um dos melhores filmes do personagem, como do MCU como um todo. Sempre lembrando de não se levar sempre a sério (como esperamos de uma história do Aranha), o filme cumpre com maestria sua missão praticamente impossível de, ao mesmo tempo, atrair novos fãs e levar em frente a história do Universo Marvel nos cinemas após o bombástico quarto filme dos Vingadores.
Com um protagonista brilhantemente interpretado (Holland é Peter Parker), um ótimo vilão, coadjuvantes que agregam muito, uma história ao mesmo tempo com boas cenas de ação e humor na medida e easter eggs para acalorar o coração dos fãs de longa data do personagem, a mais nova aventura do Amigão da Vizinhança mostra que foi feita por pessoas que genuinamente gostam do personagem e entendem o que ele representa.
O filme possui duas cenas pós-créditos. A segunda poderia ter sido mais bem aproveitada, mas é compensada por uma primeira de tirar o fôlego dos fãs do universo do Aranha. Um desses fãs, não acreditei no que vi, parecia um sonho sendo realizado.
9,5/10







Comentários