top of page

5 vilões marcantes do cinema

  • Gabriel Chilio Jordão
  • 12 de ago. de 2019
  • 5 min de leitura

Muitos dizem que uma boa história, e até mesmo um bom herói, começam por um bom vilão. Concordo plenamente. Não há nada como sentir que o antagonista da obra é tão carismático quanto o protagonista, e até certo ponto torcer por ele, justamente por ser um personagem bem feito. Por um outro lado, é extremamente decepcionante ver uma obra cujo vilão não é interessante, e pouco faz para agregar à história.

Tendo isso em mente, listo aqui, em nenhuma ordem particular, cinco vilões que marcaram época no cinema, e os motivos para tal. Perceberá algo que se repete: nenhum é 100% maligno e quer dominar o mundo e matar a todos. Na maioria das vezes, um vilão atinge a grandeza quando possui objetivos mais relacionáveis, e até mesmo nos faz questionar a moral do protagonista. Isso não quer dizer que não há espaço no hall da fama para alguns psicopatas, no entanto.

Não custa lembrar que a lista é profundamente pessoal e carregada de subjetividade. Portanto, nada que está escrito aqui é verdade absoluta, e discordar (com respeito, claro) é sempre uma opção.


T-800 – Exterminador do Futuro (1985)


Quando um austríaco gigante e nu se aproxima de você e exige suas roupas, suas botas e sua motocicleta, o medo é um razoável sentimento. Piadas à parte, é na pele do mortal T-800 que o querido Arnold Schwarzenegger ganhou fama mundial. E certamente não foi por menos.

Uma máquina de matar criada em um futuro distópico dominado por inteligências artificiais, o Exterminador do Futuro volta para o passado para assassinar uma mulher destinada a criar o líder da rebelião humana. O ciborgue é uma figura amedrontadora em todas as vezes que está em cena. Uma máquina que não esboça reação alguma, seja matando humanos ou sendo alvejado por balas.

Muitos fãs preferem o T-800 “bom moço” de Exterminador do Futuro 2, mas vejo que é no primeiro filme da saga que o personagem de Arnold demonstra todo o seu potencial para vilão. Dono de algumas das falas mais marcantes do cinema, é curioso como um dos vilões mais marcantes da ficção científica seja um que pouco fala, e conquista o público sendo uma presença sempre desconfortável e assustadora.



Roy Batty – Blade Runner (1982)


Perdemos há pouco tempo um ator que nos deu uma das performances mais memoráveis de toda a ficção científica (na minha opinião, de todos os tempos). O replicante que só queria viver mais, Roy é a figura principal do clássico Blade Runner, e muito mais carismático que o protagonista (Deckard, interpretado por Harrisson Ford).

Roy é o que mais se distancia de um vilão nessa lista. É até difícil caracterizá-lo como um, suas ações não são as que esperávamos de um. Vejo que ele é o antagonista de Blade Runner única e exclusivamente pelo fato de Deckard ser o protagonista. É apenas um androide que lamenta ter sido criado com um prazo de validade, e sua luz, que brilhou tão intensamente (palavras de seu criador), estar prestes se apagar. As memórias e experiências que adquiriu nos seus quatro anos de vida pouco valem para os humanos que o criaram.

O holandês Rutger Hauer entregou uma performance memorável, que se torna ainda mais especial que descobrimos (uma história clássica do cinema a esse ponto) que sua melhor cena, o belíssimo discurso das lágrimas na chuva, foi completamente improvisado. O que temos é um ator que entendeu perfeitamente seu personagem e a obra onde estava inserido, protagonizando o que acredito ser uma das mais belas cenas de toda a história do cinema.

† RUTGER HAUER (1944 – 2019)



Hannibal Lecter – O Silêncio dos Inocentes (1991)



O mais assustador e macabro de todos nessa lista, o psiquiatra Hannibal Lecter criou um certo gosto por práticas antropofágicas (leia-se: canibalismo), e por isso foi preso. É com ele já preso que começamos a acompanhá-lo. Até certo ponto, ele não é propriamente o vilão do vencedor do Oscar de 1991, mas sua presença e a atuação inacreditável de Anthony Hopkins (que lhe rendeu também uma estatueta de ouro) tornam-o o “malvado” mais marcante da obra.

Por escolha do diretor Jonathan Demme, na maioria das cenas de Lecter ele está olhando diretamente para a câmera. Um acerto em cheio. O psiquiatra psicopata é perturbador, dando calafrios a praticamente cada uma de suas falas. Adicione isso ao fato de ele ser extremamente astuto, e temos um maníaco que está atrás de grades, mas ainda assim parece estar um passo à frente de todos.

Muitos colocam Silêncio dos Inocentes como um filme de terror. Eu classificaria mais como um suspense, mas entendo a outra opção. Hannibal é tão carismático como é aterrorizante, e, por mais curioso que seja, é num vilão que pouco faz além de falar que temos um dos antagonistas mais memoráveis da história do cinema.



Coringa – O Cavaleiro das Trevas (2008)


Em filmes de super-heróis, muitas pessoas pensam que a qualidade está no grau de fidelidade à obra ou ao personagem. Certamente existem casos onde isso acontece, como JK Simmons como J. Jonah Jameson e Hugh Jackman como Wolverine, mas nunca foi uma regra. No segundo filme da trilogia do Batman de Christopher Nolan, o falecido Heath Ledger nos entrega uma adaptação do Coringa que em muito pouco se assemelha à contraparte das HQs.

Ledger preferiu analisar o personagem e fazer a sua própria versão, em vez de simplesmente copiar o que leu nas páginas dos quadrinhos. O resultado não poderia ter sido melhor. Essa versão do Coringa abandona os traços do palhaço, focando mais em um psicopata que se vê como alguém que entendeu o mundo melhor do que todos. Abraçando o caos e a imprevisibilidade como forma de viver, essa adaptação do vilão é o ponto mais alto do filme de super-herói considerado inalcançável por muitos.

É até hoje o único ator a ter recebido um Oscar por atuação em filmes do gênero, provando que não é fidelidade ao material de origem que torna um filme baseado em HQs bom, e sim a própria qualidade da película.

† HEATH LEDGER (1979 – 2008)



Darth Vader – Star Wars (1977)


Não tinha como deixá-lo de fora. Simplesmente o vilão mais famoso e icônico de toda a cultura pop.

A lista de elementos que tornam Darth Vader tão marcante não são poucas: o traje preto, a respiração pesada, os poderes de enforcamento, o sabre vermelho, as falas icônicas, a voz poderosíssima. Vader pode não ser o mais denso e complexo de todos os vilões do cinema, mas é certamente o que mais marcou época. Um imperador do mal que planeja conquistar a galáxia mostra-se aos poucos uma figura mais profunda do que se imaginava, passando a ser um personagem cujos atos começam a ser justificáveis.

Infelizmente as décadas se passaram e prequelas foram lançadas, quase aniquilando para sempre a história de Darth Vader. Seu legado é muito maior do que uma atuação péssima e escolhas de roteiro questionáveis, no entanto.

O lorde Sith não é só provavelmente o vilão mais famoso de todos os tempos, como é uma das figuras mais proeminentes e adoradas de toda a cultura pop.



Comentários


© 2019 Por Salão da Justiça

bottom of page